30.4.17
15.4.15
27.3.15
Theo e Hanna
Theophilo era, como dizer, um sujeito no mínimo exótico. Tinha cabelos
desgrenhados, olhos grandes, faces pálidas, bebia vodka pura, já fora viciado
em absinto, ficava horas trancado em seu pequeno apartamento mal arrumado,
fumando marijuana e escrevendo seus escritos incrivelmente talentosos .Abandonara
a escola assim que aprendeu a ler e escrever. Tentava publicar seu livro desde
os 17 anos. Agora aos 26 vivia sozinho e ganhava uns trocados trabalhando numa
livraria velha, num prédio decadente do cais, sem as modernidades dos
computadores, cafés e pães de queijo das grandes megastores.
O pó o inspirava, com o pó viajava pelas páginas de E.A.Poe, Kafka,
Wilde, o pó o fazia escrever genialidades que em meio a sua insanidade e
loucura achava medíocre e invariavelmente perdia-se em latas de lixo. A sarjeta
o atraia, escrevia melhor quando zanzava pelas ruas, com um bloquinho de papel
amarfanhado e sujo no bolso traseiro do jeans surrado. Observava as ruas com
seus olhos embaçados por grandes bolas coloridas e flutuantes e ao fim da
madrugada voltava pra sua cama solitária. Theophilo era um sujeito anti-tudo.
Um dia Hanna entrou na livraria empoeirada, somente ela naquele enorme
buraco coalhado de livros. Ela ficou andando pelas estantes, observada de rabo
de olho por Theophilo.Era magra, mais alta que ele, tinhas cabelos lisos e não
enxergava bem sem óculos.Era estranhamente bonita, sem ser bonita.Hanna era
estudante de Filosofia e frequentava a Universidade Federal. Todos os dias
passava pela porta da velha livraria e reparava no jeito de Theophilo, neste
dia por curiosidade entrou e o abordou sobre uma obra inédita de Sófocles. Ele
imediatamente corou, se atrapalhou todo, agarrou uns dois ou três livros e
balbuciou “estes, estes, leve” e virando nos calcanhares, sumiu pelos
corredores da livraria. Hanna surpresa e sem graça agradeceu e saiu. Todos os
dias que vieram a seguir ela entrava , pedia algum livro e ele a atendia da
mesma forma. Ate que um dia ela a convidou pra tomar um café com conhaque.
Nesta tarde descobriram tudo em comum.
Hanna se mudou pra casa de Theophilo. Arrumou os armários dele, tentou
por em ordem seus escritos, passava as madrugadas acordada esperando Theo
chegar das vielas, trôpego, com os textos geniais de sempre amassados e
riscados e refeitos e riscados. O impedia de jogar no cesto de lixo. Deu força,
disse o quanto ele era bom. Theo encontrara um novo rumo e escrevia agora para
mais outra pessoa, além dele mesmo. O seu mundo crescera, e com isso, crescera
também, a sua imaginação literária. Escrevia agora a um ritmo alucinante,
produzia, produzia e acreditava que era bom. Mas sua inspiração cada vez mais
vinha do álcool, drogas, remédios. Hanna não conseguia mantê-lo longe delas. Mas
Hanna tinha tino, sabia divulgar seus trabalhos, era a mente sóbria,
equilibrada.
Theo começou a fazer sucesso, os seus manuscritos começaram a circular
no meio intelectual de todas as cidades mais importantes da região. Quando
começava a ser aclamado por alguns dos mais expressivos escritores e artistas,
Theo morreu. Os excessos, a escrita ensandecida, a imaginação fértil, as
historias fantásticas. As misturas explosivas de drogas, antidepressivos e
álcool haviam surtido – finalmente – o efeito desejado: Theo havia expressado
toda a sua grande e espetacular criatividade, alcançara o quase sucesso
definitivo, mas se perdera....
Hanna iria se suicidar dias depois. Jogou-se do terraço da velha
livraria. A queda foi fatal. O amor de Theo também..
20.3.15
Ainda ESCREVO porque nunca deixei de fazê-lo....Estou em todos os lugares inclusive aqui......
https://www.facebook.com/AsVezesCeuAzulAsVezesTempestade
13.8.13
Poenóide Fotográfico
Quem aqui me segue digo que "estou estando" mais aqui: http://www.facebook.com/AsVezesCeuAzulAsVezesTempestade?ref=hl
2.6.13
15.5.13
Do Amor Que Vejo Em Vocês. E do Medo.
Infinitamente, flor, semente
Incontáveis, inigualáveis, infindáveis
Sonhos e nós
Somos nós
Medo, medo, medo
Do esquecimento
Irei esquecer...
Desejo, desejo, desejo
De manter vivo, vivo...
Quantos dias mais
E os que forem não passarão
Experimento,
Sentimento
Experimental
Amor novo
Das pirâmides ao ônibus espacial
Eterno, ancestral
Por gerações,
Traga esse amor
Liberte esse amor
Quero vê-lo em você
Estampado em sua face
E por que disfarçar ?
Seu rosto pálido
Sua presença forte
Traga esse amor pra luz
E do branco se faça o vermelho
E se não der,
Buraco negro...
Infinitamente, flor, semente
Incontáveis, inigualáveis, infindáveis
Sonhos e nós
Somos nós
Medo, medo, medo
Do esquecimento
Irei esquecer...
Desejo, desejo, desejo
De manter vivo, vivo...
Quantos dias mais
E os que forem não passarão
Experimento,
Sentimento
Experimental
Amor novo
Das pirâmides ao ônibus espacial
Eterno, ancestral
Por gerações,
Traga esse amor
Liberte esse amor
Quero vê-lo em você
Estampado em sua face
E por que disfarçar ?
Seu rosto pálido
Sua presença forte
Traga esse amor pra luz
E do branco se faça o vermelho
E se não der,
Buraco negro...
Medo
Sobre o tema "Medo" proposto pelo Clube da Poesia
Visite:http://www.facebook.com/groups/534116389968110/540064652706617/?notif_t=group_activity
Visite:http://www.facebook.com/groups/534116389968110/540064652706617/?notif_t=group_activity
23.4.13
Pra quem me segue por aqui e gosta de me ler convido afetuosamente para me seguirem no Facebook...Os poenóides cotidianos também estão por lá. Sejam bem-vindos. Adoraria "vê-los" !
http://www.facebook.com/AsVezesCeuAzulAsVezesTempestade?ref=hl
3.4.13
Que Fique Apenas Um Afeto
Hoje eu me despedi de mim
Da parte de mim que pensava “eu e você”
Hoje eu me despedi de você
Hoje eu disse tchau
Porque hoje percebi o que devia fazer
Tem horas que a gente se cega
Mas quando a gente percebe a verdade
As coisas aquietam e a mente sossega
Não é sem lamento que eu te digo “parti”
Mas assim fica mais fácil pra mim e pra ti
( eu e essa mania de rimas fáceis e pessoas difíceis)
Todas as supostas verdades
Se eram supostas
Não eram verdades
E nem traziam respostas
Claro que pensarei em você
Desejarei o melhor
Fica tudo por dizer
O poema era meu
O silêncio era seu
Mas se não deu não deu
Amizade sincera
Que não é entendida
Passa ao largo
Desperdiçada e perdida
Não vou jogar palavras ao vento
Desperdiçar sentimento
Com quem já não quer
Se eu não te entendo
Não te aceito
E assim é que é...
Me rendo ao inexorável destino
Boa sorte meu amigo
É a ultima frase que digo
Hoje me despedi de você.
2.3.13

As vezes sinto vontade de
ir embora...De onde pra qual lugar ? Não sei.
As vezes sinto vontades: de ir embora, de encontrar. De onde pra onde não sei precisar. De achar o que ? Nem ouso dizer. Vivo numa espécie de desejo por algo que num sei o que é. Nascer assim, viver assim, esperando NÂO morrer assim.
Porque a vida é aquele trajeto que vai do momento que você chora por instinto com um tapinha na bunda, passando pelos momentos nos quais você chora com o mais profundo sentimento por todas as dores de todos os tapas que a vida te dá...Até finalmente desembocar no último suspiro que te é permitido.
De fatalismo e desejos é feita a vida ? Talvez.
Mas as alegrias existem. No trajeto a gente vai descobrindo. Todos os dias são incógnitas. E planejar é um tempo que gastamos tentando dirigir nossa vida. Pode dar certo mas na maioria das vezes nem dá. Existe entre os planos e o resultado final algo que o ser humano não domina: o acaso, o contexto, o desejo do outro.
Não, nem tudo depende de seu esforço e determinação. Você nem sempre conseguirá alcançar seus objetivos com sua “força interior”. Pensar assim é como viver eternamente num livro de autoajuda. Empenho, determinação, foco, força interior se deparam com o imponderável. E ai você pode sim estar diante de algo que você não pode mudar. Aceitar isso e contornar, isso sim é sinônimo de força e superação.
31.12.12
Amigos, Feliz Vida !!
O final de um ano e o início de um novo guarda muito mais simbologias do que de fato mudanças...
Não, não mudamos por conta de um calendário...
As coisas boas, as coisas ruins não são delimitadas por datas....
A vida da gente é um fluir, um amontoados de ações, emoções, coincidências, decisões....
O ser humano talvez precise de incentivos cronológicos
Em 2013:
Vou parar de fumar, vou emagrecer, vou amar mais, vou viajar pelo mundo...
Mas de verdade temos 365 dias pra usufruir, rir, agir, tentar, cair e levantar
E multiplique 365 dias por pelo menos 90, que são os anos que almejamos viver
Pra mim final de semana de Natal e Ano Novo é como outro qualquer
Deixar de lado essa "sangria desatada" de TER que ser FELIZ no Ano Novo
De TER que descolar uma festa maneira
De TER que confraternizar e rir
DE TER que colocar roupa nova
DE TER que fazer uma ceia farta e exagerada
Alegria a gente cultiva naturalmente o ano todo
Amor a gente desenrola todos os meses
Amigos a gente vê todos os dias
Família a gente convive a vida toda
Sejamos felizes cotidianamente
Sejamos tristes quando algo nos trouxer desapontamento....
Nada de TER que ser alegre nas festas de fim de ano
OU de se SENTIR pra baixo porque não descolou um reveilllon muito chic
Sejamos felizes e tristes exercitando o dom de VIVER !!
Tudo faz parte
E sua vida vai continuar te dando a chance de vivê-la
Muito além do Natal ou do Ano Novo
( Meras datas advinda de um calendário formal e não do seu tempo interior)
Respeite o seu tempo, faça sua trajetória nos próximos anos vindouros....
Mas já que hoje é dia de simbologias:
Feliz Vida, Felizes Todos Os Dias de Sua Vida ! Que Ela Seja Longa e Que Você Faça A DIFERENÇA !!!
10.12.12
My Piece
Um dia ao te olhar
Não diretamente nos olhos
Porque me encabulava ao tentar
Mas um dia ao te olhar discretamente de soslaio
Percebi que talvez
Talvez e não mais que talvez
Você fosse aquela que combinaria comigo
Não seria óbvio
Não seria de cara
Eu teria que ir notando isso aos poucos
Nos dias que foram e vieram
Em conversas e segredos trocados
Foram tempos de dúvidas
Horas de dádivas
Foram anos de incertezas
Foi muita água por debaixo de nossas pontes
Porque não haveria de ser amor a primeira vista
Na realidade houve desencontros
Desistências e retornos
Porque sobre nós sempre pairava
A nuvem da quase querência
A nuvem da quase chuva que molha
E as vezes a nuvem negra do abandono
Mas não se sabe por qual motivo
O horizonte sempre se abria diante de nós
E o quebra-cabeça aos poucos fazendo sentido
E nos fomos conjugando
O pretérito
O presente
E o futuro....
Talvez e não mais que talvez
Você fosse aquela que combinaria comigo
Não seria óbvio
Não seria de cara
Eu teria que ir notando isso aos poucos
Nos dias que foram e vieram
Em conversas e segredos trocados
Foram tempos de dúvidas
Horas de dádivas
Foram anos de incertezas
Foi muita água por debaixo de nossas pontes
Porque não haveria de ser amor a primeira vista
Na realidade houve desencontros
Desistências e retornos
Porque sobre nós sempre pairava
A nuvem da quase querência
A nuvem da quase chuva que molha
E as vezes a nuvem negra do abandono
Mas não se sabe por qual motivo
O horizonte sempre se abria diante de nós
E o quebra-cabeça aos poucos fazendo sentido
E nos fomos conjugando
O pretérito
O presente
E o futuro....
19.9.12
Sobre Nando Reis e seu disco ( ao
som de Cássia Eller que neste momento canta
Segundo Sol no rádio , sem que eu peça ou espere)
Ouvindo bastante as novas
músicas de Nando Reis do novo disco
“Sei “. O que sempre me toca a sensibilidade são as cenas criadas por ele utilizando imagens simples
mescladas com melodias de uma fluidez
sincera, pessoal, melodias e letras que
somente ele poderia combinar , casar e trazer à tona, usando os acordes do violão surrado, arrrumado, amaciado e amado.
Os caminho melódicos sempre originais. A obra do autor meio que revelam sua
própria forma de viver e ver a vida.
Nessas novas canções se repetem
as frases que nos remetem a imagens comuns, corriqueiras, contidas em
todas as vidas ... Cenas com as quais nos identificamos e que ele consegue envolver numa atmosfera poética, feita de versos
longos, palavras inesperadas , frases-flores .Versos que se perdem num momento
pra depois retornarem ao foco central: sentir. Tal como nós mesmo que por vezes
nos perdemos e retornamos a velhos
sentidos e sentimentos...Descrições cotidianas que transformadas em metáforas
cheias de possibilidades nos comovem e
nos faz cantar e repetir e levá-las pra nossas vidas. Cenas que vivemos, gostaríamos de viver ou viveremos um dia.
“aeronaves pousando sem você”... “o
perfume conhecido e quase posso lhe ver”....
“mãos apoiadas na borda da piscina” ... Imagens que desenhadas em nossa
memória nos levam pra algum lugar dentro de nós ...Fazer do simples, poesia e identificação...Se por um lado uma canção não nos apaixona de cara, ao mesmo tempo com o tempo a gente vai compreendendo ela melhor e quando o amor se instala a gente já não foge mais de ouvi-la. Canções podem ser como as relações humans. Umas amamos a primeira vista, outras vamos desenvolvendo um afeto maduro.
A obra de Nando é repleta de uma
simplicidade e ao mesmo tempo personalidade e beleza e é sempre atemporal...Tanto que cantamos tem
anos e anos as mesmas canções clássicas sem nunca perder e emoção que se re-inventará toda vez que escutarmos ...
A poesia que Nando Reis
transporta pra suas músicas esta
repleta de pequenos detalhes. Alguns facilmente compreensíveis, outros sem
sentido a primeira vista e ai para nós restam
apenas as conjecturas...E isso é instigante.
O ato de apertar o doze do
elevador, usar um all star igual da pessoa amada, frases originais como
associar uma lembrança ruim com a derradeira constatação que”a falta é a morte
da esperança”. A desculpa pela ausência, pelos erros cometidos, a vontade de
ser diferente e talvez assim ser amado.O despudorado declarar do desejo de
estar com a “sua pessoa”. E o fato de ele compartilhar isso com a gente “sabe
(o que é isso) ?” – sim, sabemos Nando Reis.
As lembranças de infância muitas
vezes confusa noutras vezes nostálgicas e repletas de pormenores como em
Pré Sal a canção mais forte e tocante e melodicamente complexa do disco – na minha opinião. Em suas
canções estão presentes a incapacidade de não sofrer diante de um amor
que não evolui como gostaríamos e que todos nós temos em nossa biografia “Nem a
dor dessa saudade futura flor que não abriu...talvez um dia possa rolar nos
dois juntos no mesmo lugar...” Dito de
um jeito que carrega toda uma marca pessoal e ao mesmo tempo comum ao mundo.
“Voltei estou aqui e agora estendo minha mão”
Os discos de Nando Reis são ouvidos,
re-ouvidos e mantidos em nossa memória afetiva. A cada nova audição a gente re
descobre ou descobre novas nuances, possibilidades. Um misturado e inesperado
uso de palavras. Um “eles sabem porque amo seus lábios ” com “camelo lindo que
enfeita o maço” ou um “e os caninos afiados daquele garfo” A gente vai se afeiçoando, criando
identificação, decorando os trechos, porque tem o jeito como o Nando diz a
música trazendo em cada frase profunda verdade. Alguns escritores e outros
tantos músicos tem essa capacidade e a
gente nem sabe o porque desse poder de identificação, mas a gente curte e se
emociona...Não tem como evitar.
17.7.12
Pela Dor e Pelo Amor
Não que ela fosse uma criança triste. Ao contrário era
feliz, engraçada e sua risada sempre ecoava pela casa. Brincava sozinha. Comia
flores e joaninhas por curiosidade e plantava conchas no jardim . Mas também era
uma criança que crescia com dor, literalmente com dor. Dor física. Desde que se
entendia de gente. Dor que a acompanhava por toda vida. Muito tempo depois
quando já podia entender as coisas a mamãe lhe contou o nome daquilo: fibromialgia. Aquela
dor era aliviada por lápis de cera, versos e música. E alguns comprimidos laranjas
e chás verdes. E a mania engraçada de ler
a lista telefônica pra ver os nomes
engraçados que usava em suas histórias.
Sentia falta das listas telefônicas que já não eram mais entregues nos
dias de hoje. Centenas de páginas. Certo
, talvez melhor que não existam mais. Tantas árvores poupadas. Mas era divertido já na adolescência ler a
lista em busca do nome de garoto por quem era platonicamente apaixonada. Enfim.
Nos anos atuais bastava entrar nas redes sociais para encontra-los. Menos charme,
menos mistério.
Voltando a dor de
crescer. O que a acompanharia sempre ? cadernos,
gravuras, colagens, livros e canções...
26.6.12
Intrometido
O amor ás vezes chega
E a gente nem pediu
Ele se enfia no meio do dia
Refaz os planos
O amor ás vezes atrasa
Desencontra
Erra o caminho
Se doa pra quem não quer
O amor é engraçado
Sentimento avoado
Que num presta atenção se é bem vindo
O amor sempre cantado
Um troço as vezes errado
Pouco prático
Insistente
Erra de casa, esquece telefone
Desisti e depois acha que volta
O amor é independente
Num respeita o que a gente sente
E quer nos fazer sofrer
O amor troca as palavras
Distorce a verdade
Retorce a cabeça
E num sabe o que faz
Ele vive dentro da gente
Mas nem sempre ouve o que a gente diz...
Mas sem amor,
Mesmo que seja só seu
Não da pra ser feliz...
8.6.12
Pela Amizade e Pelo Vinho
Eu cacei seus olhos
Alcancei seu sorriso
Ri junto a você
E bebericando um café forte
Te contei umas histórias
Guardadas em fundo de baú
Você leu com um franzido na testa
Não de reprovação
Mas diria de compreensão
(E se eu nem te conhecesse...)
Ainda assim confessei poemas
Um coração descompassado
Uma vida maluca
Enrustida numa moça discreta
Te enviei todas as cartas
Transformadas em monólogos
Que eu feliz desenrolava
Quis saber indiscreta das suas histórias
As histórias com tempo marcado
Repletos de datas
Suas tempestades e verões
Sempre cheia de imagens e suposições
Muita coisa em você me encantava
E gostei de você tomada de uma amizade estranha
Sincera irredutível
Misturada no sabor de tantas canções
Quisera ser a amiga poeta
Mas nada mais sou que uma moça meio pateta
Que te envolve e revolve palavras
E que de fato tem dificuldade em se desvencilhar
Daqueles que passam por mim
Portanto não te esquecerei
Ao contrário guardarei na memória
Um março passado dedicado delicado
Naufragado em algum porto do passado
Eu tomava vinho tinto pela dor que sentia
E parei de beber pelas coisas que falava
Ressaca não me caia bem
E eu me viciava na dormência de minha alma
Se já não sofria olhando o fundo do copo
Sofria ao abrir olhos e não me ver
Os vícios assim como paixões
Nos levam de nós mesmos
Sem que possamos perceber...
Nem por suas “não respostas”
Ficarei triste a ponto de me entorpecer
Antes eu sorrirei
Te darei todas as frases que brotam em mim
Receba-as, receba-as assim...
Um beijo desejo te vejo em mim...
5.6.12
Das
Coisas Que Lembro Das Coisas Que Vivemos
(Porque
Hoje É Dia 13 De Maio e Você Faz Aniversário.)
A
primeira lembrança que tenho dele é uma foto que me mostrou, não uma daquela
digitais JPG envidas pelo PC, mas uma foto de papel esmaecida pelo tempo, onde
se via um garotinho com ar travesso ao lado de uma menininha sorridente. Lembro
que ele me disse, com o mesmo ar travesso da foto “minha primeira conquista”. Foi
ali, naqueles dias, em que um meninoadolescente me revelou suas mais trancadas
lembranças sobre saudade da chuva, saudade da infância, da primeira namorada,do
seu primeiro amor, que eu soube quanto sentimento ele tinha dentro de si . Foi ali, que eu soube que me
lembraria dele para sempre.
Lembro
que ele não era muito alto, que seus olhos estavam sempre na mesma direção dos
meus, posto que éramos quase da mesma altura. Lembro que eram olhos claros, e
que mesmo quando zangado pareciam sorrir irônicos e que tinham longos cílios,
longos demais para um menino, mas eu achava que isso dava a ele um charme
especial.
Lembro
que gostava de carros, motos, de cozinhar para os amigos, de cerveja, sol, da
cor vermelha, laranja e azul.
Que
era exigente, metódico, organizado
e responsável. Que nunca prometia o que não podia cumprir.
Lembro
que andava rápido, a passos largos e firmes.
Que
era teimoso, intempestivo e genioso. Que buscava a mulher perfeita e que era
confuso em relação ao amor.
Que
era capaz de adiar uma conversa dolorosa ou uma decisão para não magoar alguém,
mas que era capaz de magoar com meia dúzia de palavras. Sempre se culpando
depois por ter sido
insensível e duro, mas nunca voltando ao assunto.
Não
era romântico, não sabia expressar os sentimentos, mas era capaz de gestos
inesperados e surpreendentemente afetuosos. E mesmo não sendo romântico sei que
tinha guardado uma caixa onde de vez em quando tirava lembranças e
fotos de um amor do passado, que marejavam seus olhos de lágrimas...
Não
gostava de demonstrações amorosas. E não conversava sobre seus sentimentos. Não
gostava de chorar, não porque achasse que homem não podia chorar, mas porque
não gostava de sofrer e sempre passava ao largo de discussões, encerrando
qualquer tentativa de falar sobre emoções, para se poupar de aborrecimentos,
num gesto egoísta de autopreservação. Ate hoje não sei e não entendo.
Tenho uma foto dele guardada dentro de um livro que ele me deu. Na foto
ele esta de pé e ao fundo se vê o mar. Mas gosto especialmente de outra
onde estamos os dois juntos e sorrindo e nossas cabeças encostadas, os cabelos
se confundindo e agente apertando os
olhos contra o sol.
Lembro que gostava muito de mim, que a gente não namorava mas sempre voltava um
pro outro...
Ele achava que eu tinha uma voz engraçada e que me ligava só pra dizer
“ gosto de ouvir você falando” e depois ficávamos horas e horas ao telefone
arrancando os cabelos quando vinha a conta pra pagar. E ele sempre pagava.
Tudo que lembro dele, aprendi observando. E talvez eu tenha descoberto
muito dele.
Lembro que ele foi embora aos poucos. Julgo que demorei a perceber e que ele não me abandonou, apenas se
deixou levar pelo tempo..E o tempo é voraz e quando a gente vê o momento
passou.
O que eu sei sobre ele cabe neste texto. O que não cheguei a saber encheria uma vida. Há outras coisas que
sei, porque as encontro em mim. Em algumas coisas somos iguais...E
sei que ele sabe disso também.
19.5.12
Amizade Em Dois Atos
Se eu te vi em mim
Assim em você vi a mim
Ser parecido e diferente
É o segredo de precisar
Em nós libertar
As cordas desatar
Navegar naufragar
Como se sente
Dois rios um afluente
Desaguando revolto em mar
Perceber em outras nuances
Alguns dias
A amizade sem romance
Num precisa de beijar
As palavras vem pra unir
O sorriso pra enfeitar
Ser amigo é mais que tudo
É durar é seguir é abraçar seu ombro
É sentir o mundo
Querer só assim
Se não houver um bem maior
Aceitar o que você
da pra mim
Desde que seja sincero
Porque se não for
Fica assim...
Toque a vida
Vai por mim
O mundo é grande
As escolhas sem fim
Mentir num é afeto
Esconder num é o certo
Enganar é patético
Te devolvo sua emoção
Agradeço seu esforço
Te levo no coração...
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