11.10.08



Ira

- Você sabe que eu amava você...Aliás...
- Você agora não sente nada por mim ?
- Quisera eu. Rezo todos os dias pra sentir "nada" por você, porque nesta hora ia saber que não te amo mais...
- Então, o que você sente por mim ?
- Raiva...
- (...) - Silêncio
-...e amor também...O que torna tudo mais passional ! Merda !
- (...) - Silêncio
- Não se preocupe em dar respostas. Você nunca me diz nada que me deixe calma. Tudo o que você diz só aumenta minha ira.
- E você não dá ouvidos à nada do que eu falo. Você sempre quer ter razão
- Tá bom, tá bom. Conversamos depois. Precisamos nos acalmar.


Saiu batendo a porta...

10.10.08



Inveja - (Texto de Thiago de Mello Costa do Blog Tempestades Neurais )
Era um dia quente, muito sol, nenhuma nuvem no céu. O casal vinha andando sem pressa, abraçados. Transpiravam muito, ela trazia na mão uma garrafinha, também suada, com água gelada. Mesmo de longe, parecia que o assunto era extremamente divertido. Aqueles dois ignoravam completamente a temperatura escaldante e a falta de ventos para refrescar.

Vieram andando e se sentaram sob a sombra daquela enorme árvore, com seus vários troncos brotando do chão - ou seria descendo pelos galhos ? Estavam tão entretidos na conversa que nem se deram conta de que estavam embaixo de um dos cartões-postais da cidade. Haviam encontrado um oásis no meio do deserto e nem perceberam, continuaram a conversa. Limparam um pouco as folhas secas caídas sob a árvore e se sentaram sem se apoiarem em nenhum dos troncos-galhos.
De frente um pro outro, sentados no chão, bem no meio da enorme sombra projetada pela massa de folhas verdes sobre suas cabeças, rostos próximos. Sorriam constantemente, mostrando o branco dos dentes e o brilho dos olhos a cada sílaba pronunciada na conversa. Vez ou outra roçavam os lábios em beijos roubados e fugidios. Certo momento ela tira uma barra de cereal da bolsa, oferece, ele não quer. Come sua barrinha, calada, mas sorrindo e prestando atenção em cada palavra dele, como se ele fosse um messias a proferir as verdades do mundo.
Ficam lá por horas, nem se dando conta das pessoas que passam, nas idas e vindas das bicicletas, nas folhas que caem, o sol descendo rapidamente no horizonte, as sombras crescendo no chão. Apenas conversando, sorrindo um com o outro.
Não muito longe, um senhor que dava comida aos pombos, sentado solitariamente num banco do parque, observava aquela cena desde o começo sem obviamente ser percebido. Com o semblante mortificado, levanta-se com um olhar carregado de mágoa, o coração cheio de rancor. Vira as costas com visível inveja e vai sozinho pra sua casa sombria, repleta de objetos mofados, móveis velhos e lembranças de uma vida povoada por falsos afetos e profunda solidão.

5.10.08


Gula ?

Veridiana olhava o prato à sua frente desolada. Duas folhas de alface, um tantinho de cenoura ralada, uma colherzinha de beterraba. Ninguém podia ser feliz com um almoço daqueles. Veridiana era bonita, de uma beleza de chamar atenção, rosto perfeito, pele corada, cabelos claros,enormes olhos verdes. Veridiana tinha 28 anos e pesava 138 kg....Comia compulsivamente e agora tentava parar....

Veridiana vivia sozinha, numa enorme casa herdada da sua avó. Uma casa imponente e decadente, precisando de reforma. Veridiana era sozinha no mundo...Trabalhava de 08 as 20 hs num pequeno "sebo" de livros e objetos antigos. Atendendo à tantas pessoas na livraria um dia conheceu Vermont um jovem belga, pretendente a escritor que estudava linguas mortas na Universidade Federal...Por ele se apaixonou, à ele dedicou compulsivamente seus dias - Veridiana tinha um traço de compulsividade em seu caráter: comia compulsivamente, chorava compulsivamente, lia compulsivamente, amava compulsivamente..Por Vermont, um jovem deus grego, resolveu virar uma moça esguia... Parou de comer....

Veridana olhava o prato desprovido de calorias à sua frente...Chorava e suas lágrimas temperavam aquela cenoura misturada áquela beterraba cor de sangue....Veridiana pensou em cortar os pulsos...Será que seu sangue seria da cor daquela beterraba ? Vermont havia deixado um bilhete dentro do livro que devolveu pela manhã na loja da amada..."Mon cher, je suis de retour à la Belgique, mais croyez-moi, je t`aime pour toujours. Son Vermont."

Veridiana lia e relia aquelas palavras, os olhos embaçados...Se me amava porque havia ido embora ? Veridiana não entendia. Ali, sentada naquele bistrozinho que frequentava há tantos anos trocou a salada temperada com lágrimas por 3 pedaços de torta de nozes, dois cheesburguers, 2 milk -shakes, 1 pedaço de empadão, 2 quibes, 2 pedaços de pizzas e meio litro de refigerante....

Comendo Veridina compensava seu vazio emocional. E depois voltava pra enorme casa pra chorar pela sua compulsividade e pela sua vida que nunca, nunca era como ela desejava....

22.9.08



Tristeza É Quase Como Morrer Ao Sol...

Sentada lá no último banco do ônibus, à noite volto pra casa olhando a estrada iluminada que vai ficando pra trás. São caminhos de altos e baixos, sinuosos, iluminados por luzes amarelas.

Hoje eu voltei ouvindo Cranberries no meu MP e com pensamentos tão díspares quanto bizarros. Pensei no pequeno pássaro morto na beira do caminho, que vi pela manhã, enquanto caminhava pela calçada do meu condomínio. Aquela imagem estragou meu dia. Eu sou assim.

Ouvindo Cramberries e tanta coisa na mente. Aquela altura eu já devia tá fazendo caretas imperceptíveis, entortanto o pescoço, abanando a cabeça. Thiago tem a mania de dizer que eu enquanto penso com os meus botões sempre deixo transparecer algum gesto, faço umas caras e bocas...Ele diz isso...Não acho que seja assim...Enfim...

O pássaro miúdo, sem vida, na beira do caminho me fez pensar na criança desgrenhada, pequena, muito pequena, vestida com uma camiseta furada, os cabelos sujos, os olhos grandes que em uma outra semana qualquer estendeu a mão pra mim pedindo moedas....Isto também estraga meu dia....De novo pensei no que Thiago costuma dizer " não tenho pena, pra mim estes pivetinhos qualquer dia vão ta matando alguém pra comprar crak"...Não sou assim...Eu tenho dó...Não sei o que posso fazer com este meu sentimento, mas ao menos eu tenho ainda um coração e coisas deste tipo ainda me chocam...Enfim...

O pássaro miúdo morto à pedradas na beira da calçada, a criança de mão suja estendida pedindo esmolas, Cranberries cantando uma música triste - "like dying in the sun, like dying in the sun" - é muito mais do que eu posso suportar...

Tem dias que, nem sei...

18.9.08


Meu Mundo Não É Mais O Mesmo...E O Seu ?


-Meu mundo não é mais o mesmo...
-Por que ?
-Eu caminho, trabalho, almoço alface e beterraba, olho pelas janelas, mas meu mundo mudou...
-Em que sentido ?
-A mágoa, eu não tinha essa mágoa, nunca tive...
-Como foi isso ?
-Eu sempre olhei muito longe um arco-íris e achava que sim, havia um pote de ouro...
-Jura que você acreditava ?
-Uma metáfora, claro...Eu acreditava, transformei minha vida, viajei mundos e vim parar neste lugar...
-Veio porque quis ?
-Claro, porque quis ! Movida pelo “pote-de-ouro”...E de repente era pedra...E descobrir que era "pedra" me magoou profundamente....
-Pedra ?
-Uma metáfora, claro...Eu vi, nitidamente, diante de meus olhos a insensibilidade...Sabe, não há coisa pior que a insensibilidade....
-Quais foram “as insensibilidades” ?
-Mesquinhez...Indiferença.....
-Sabe aquela música que fala “people are strangers, people deranged....”
-Meu inglês não é bom...rs
-“Pessoas são estranhas, pessoas são transtornadas....”
-Ah ta....São mesmo...Pessoas são más, intrínsicamente egoístas e más...Não são ?
-Acho que algumas pessoas fingem que gostam de você e acabam acreditando nisto...Quer dizer tem pessoas que tem a capacidade de amar mesmo...Mas outras não...Acho que depende de como são criadas...
-Como assim ?
-Pessoas que tem mães amorosas são amorosas....Pessoas que são criadas por pessoas amargas serão insensíveis...Pessoas amargas criam filhos amargos...E a mesquinhez se propaga...
-Mesquinhez ?
-Sim...Deixa pra lá...A mágoa me torna cruel ...E falo coisas sem sentido...
-E você acha que o que você viveu foi em vão ?
-Nada é em vão...Aprende-se sobre as pessoas...
-E você acha que o que você sente tem alguma importância pro “pote-de ouro que virou pote-de-pedra” ?
-Não. Vou morrer no tempo e ele seguirá sendo “pedra”.

10.6.08



SUMIDA...

Sumida daqui...
Sumida do mundo ?
Sumida da vida ?

Depressão ? Tristeza ? Problemas ?

Nãooooooo...
TRABALHO, muito trabalho, daquelas situações em que você não tem tempo nem de ir ao banheiro e segura o pipi-pipi o dia todo....Já passaram por isso ?


E quando chega em casa pensa, pensa e não liga o computador... Cansaço SUPREMO...Mas felicidade ainda faz morada...





9.3.08



Girassol, Amizade É Tão Importante...

Se eu precisasse de uma mão pra segurar você seguraria a minha entre as suas ?
Se eu precisasse de alguém pra uma abraço você estaria lá ?
Se eu acordasse insone no meio da noite você me faria companhia ?
Se eu sentisse uma febre alta você me faria um chá ?
Se eu quisesse rir de bobagens você me contaria piadas ?
Se eu quisesse reviver o passado você me escutaria ?
Se eu quisesse sumir você fugiria comigo ?
Se eu quisesse conhecer sua vida toda você me contaria ?
Se eu quisesse falar da minha vida toda você ouviria ?
Se eu desse voltas e voltas pra te contar um segredo, você esperaria ?
Se eu esperasse compreensão você me daria ?
Se eu fosse muito chata você me aguentaria ?
Se eu levasse com o telefone na cara você entenderia minha perplexidade ?
Se eu ouvisse gritos loucos e raivosos por eu estar chateada
Você me diria "não aquela pessoa não existe, foi só um pesadelo" ?

Para todas estas perguntas a resposta seria sim ?